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domingo, 6 de dezembro de 2020

me reconheço e me aprimoro
a fim de evitar o sofrimento
a mim e ao próximo. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Descompasso

Hoje sonhei que te encontraria por acaso. / Seduzido, me daria um abraço. / E eu aconchegada, me demoraria em seus braços. / Esse laço me traria felicidade. / Em pouco tempo uma angústia me invade. / Lembro da ausência e da saudade. / Numa sucessão de ternura sonho e crueldade. 

sábado, 12 de setembro de 2020

utopia

não acontecerá
além daqui
fora de mim

mas a negação não impede
a beleza da imaginação
de me confortar.

o mundo não ocorre aos planos
escorro aos prantos
no fim, que valor terá?

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

feita de instantes

a paixão que outrora fora avassaladora
a mágoa presa na garganta do que se foi
a saudade antiga do que ainda não se viveu

o silêncio agudo que me atravessou o peito
o grito mudo do que ficou por dizer
o pensamento ínfimo que me acalmou

o novo sentimento sob velhas auroras
o clima ameno depois que o sol se pôs
o horizonte em raios de luz que resiste ao breu

a culpa honrosa que julga defeitos
a fala misericordiosa que veio acolher
o beck aceso na roda que me iluminou

a ideia mirabolante que surgiu
uma nova ideia que me fez esquecer
da dor, da anterior, da flor

o delírio em que eu estava entretida
o devaneio que me fizera perder o ponto
o ponto em que eu ia descer do ônibus

passou.

3 500 km/h

imagino uma paisagem qualquer
- dizem que - bela, mas sobretudo, calma
há árvores que brilham sob a luz do sol
há uma brisa que fazem suas folhas dançarem
ao som do vento escuto amenidades
gostaria de viver isenta pela eternidade
o céu azul claro com poucas nuvens
o dia claro e apesar disso faz frio,
gosto de dias assim, me sinto bem

e sinto um vazio...

de repente, como uma bala perdida
imagens atravessam minha mente
autoridades máximas do meu país
brancos bebem seus copos de leite
pretos sucumbem em seus corpos inertes
como alvos ou massa de manobra no front
guerras repetidas, palavras pertinentes
histórias cruéis de sofrimentos vãos
pelo bem maior do ego, podres poderes

e eu com isso?

é que não consigo ser omissa
é que não me misturo com covardes
que de longe acenam e fingem não ver,
que de perto encenam seu ouro de tolo
tento não me envolver, mas sempre me sujo
sangro o mesmo sangue, me dói a mesma dor
sei que não é fácil, me inspira à coragem
eis a verdade que é minha e a protejo.
e assim mudo rapidamente de desejo,

insubmisso.

expressionista invendável

me disseram artista,
poeta revoltada,
incomodada às injustiças.
para a desordem relativística,
ofereço insubordinação lírica.

mas de conceitos sempre fugi,
pois sendo grande, não vou
apequenar para me definir
e sendo insuficiente,
não me cabe persuadir.

inerente ao meu ser
- que vê e ainda não crê -
sobem à superfície espectros
do que sou e do que quero.
me ponho a escrever

nobres sentimentos
em pobres métricas.
desinteressada em vender ética
para suprir demandas estéticas,
sigo estéril e indigesta.

arte como expressão:
não há mercado
nem público-alvo,
fragmentos de sucesso
ou fracasso são todos vãos.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Tamanduaí

Guardo minhas descobertas para mim
Não as grandes, que podem vir a ser úteis em grande escala
Mas as pequenas, de toque singelo
Um poema erótico ou um animal exótico
Os outros parecem não dar a mesma importância
Eu não daria, não sentiria
Mesmo ao meu lado, a distância compreende quilômetros
Cada um, uma forma de sentir, de pensar, de usufruir
Do momento que mesmo repetitivo há algo q o torna único
E talvez eu não precise de fato compartilhá-lo
Contemplar a descoberta, entre o espanto e o encanto
No meu canto
Não devo me expor de modo a tal
Me prender a uma situação chata por seu caráter de insistência
Insistência gera desgaste
Com desgaste há o embate
Sem compreensão
Falsa absorção
Prefiro só me acarinhar só
Gozar da minha companhia
Agonia, carícias, pranto
Eis a solidão em canto.

terça-feira, 28 de julho de 2020

>> arte como expressão
não há mercado nem público-alvo
fragmentos de fracasso ou sucesso são todos vãos

>> paixão intensa, puro desapego
a angústia da esperança no caos
"este fogo que só com fogo se pode apagar"

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Slam #3


Analiso

O que vejo no caminho, os truques do discurso político
Tentando comprar as almas desse viveiro apocalíptico
Leis, armas, amarras do opressor contra o oprimido
Vivendo entre cultos, incultos, pastores cada vez mais ricos
Enquanto o rebanho de ovelhas sobrevive raquítico
Alimentado por frases hipócritas e meros paliativos
Direitos não são caridade, deveres incompreendidos
Pudor corrompido
No princípio era o verbo, anterior ao versículo
Versos perversos denunciam a dor de mais um cristo
Primeiro enxergam a cor da pele depois o sangue do indivíduo
Branco sarará, pardo mulato, preto retinto
A mão que afaga, a outra que aperta o gatilho
O dedo que aponta, lágrimas de crocodilo
Esmola mata de vergonha, mas a vergonha vicia.

Admito

Enquanto procuro um ninho, para procriar princípios
E criar um significado, um que a mim faça sentido
Pois o sofrimento também vicia, a morte em si já é um vício
Não desconsidero a razão dos que já partiram
Comove-me a emoção na lógica do auto sacrifício
Perder a vida por um caminho omisso
Ou passagem só de ida para um destino insubmisso
Ecos na minha mente, mistura de sentimentos e ruídos
Entre a aflição e a ambição, florescem desejos doloridos
Meus sonhos ainda vívidos não foram destruídos
Mais que vícios e resquícios, não sou náufrago
Do outro lado do precipício, sou mar, imensidão
Noites sombrias vieram, dias bons e ruins vem e virão
Não me intimido com isso, seguindo ao infinito e além
Eu mulher preta resisto.

sábado, 13 de junho de 2020

Liberdade e o quê mais?

Social democracia, liberalismo social, comunismo libertário... tudo é utopia. Num contexto em que qualquer uma delas poderia ter dado certo, todas deram completamente errado e a minha resposta a isso é porque o ser humano é, em si, imundo. Acho graça quando falam de lutar pela implementação do sistema ideal, mais graça ainda ao saber que cada um tem seu conceito de mundo ideal. Pra mim há claras distinções entre o ideal e o real, um deve sim existir para se opor e complementar ao outro, mas tentar uni-los é pura ilusão. Como meu idealismo sobreviveria na realidade? Eu respondo: não sobreviveu. Parafraseando Pessoa, tenho uma espécie de dever de sonhar sempre, é o que me abraça, me ajuda, me acolhe no mundo das ideias já que no mundo material preciso de fato ser uma guerreira do cotidiano e resistir às incompletudes inquietantes das sociedades e dos indivíduos. Às vezes, mesmo não sabendo e não querendo separá-los, logo percebo a ineficiência de se pensar nisso com um objetivo final de felicidade coletiva, porque os homens são individualistas inatos e se utilizam disso para fins egoístas com tendências à crueldade exacerbada para com os outros seres vivos. Os processos ocorridos no espaço-tempo nos trouxeram até aqui, no entanto, nossas inspirações e aspirações continuam as mesmas, as teorias foram complementadas, a tecnologia proporcionou melhorias físicas, a ciência nos orientou para as possíveis soluções, os erros foram desacreditados, contudo, repetidos e pior, aprimorados. Sofremos das mesmas mazelas, só que em escalas diferentes; em tempos históricos diferentes, a mesma essência de problemas. Insight para a realidade: uma revolução social é ineficaz, não há unidade de ação e pensamento, eu mesma não quero me tornar uno com aqueles em que deposito o meu desprezo. Se vamos tratar de revoluções, estas devem ser por todos os lugares constantes, pois assim é que são as guerras. O ser ou o grupo que melhor se organizar estará na frente, o poder é a organização, a inteligência na face de estratégia. Mesmo que consigamos um estado de bem estar social brando, já que composto por homens, sempre estará sujeito às ambições e corrupções. Mesmo que com boas intenções, posso eu subjugar toda à natureza aos meus anseios? E se assim eu me tornar uma tirana? Se tenho essa dúvida em mim, como posso entregar minha confiança ao outro que é tão demasiadamente humano como eu? É necessário haver oposição permanentemente. Os evoluídos, aqueles em que acreditamos estar acima disso tudo, não podem nos guiar pois já não estão mais aqui. Tento ir buscando esse tipo de evolução também por realmente acreditar que a felicidade geral virá a longo prazo; a longo prazo todos estaremos mortos.

O fim do que nunca se iniciou

Na música, alguém prefere se queimar na cama, em chamas, por um outro alguém qualquer do que ficar só, retida em si. Eu, entretida em lembranças molhadas e destrutivas - submetida a quereres, carinhos e aflições e ainda assim desajustada à companhia -, não ouvi direito e achei que havia me identificado com a letra, voltei a reprodução para cantar em conjunto quando percebi o erro cometido, porque eu sou do tipo contrário. Em contrapartida à ilusão, me contemplo: prefiro estar só do que esta solidão.

segunda-feira, 2 de março de 2020

"Ninguém irá me surpreender, a menos que você o faça."

ouso pensar que vieste
para me encantar
onde só ganhara desenganos.

a impessoalidade como lei
é um ledo engano.
não tenho medo do pranto.

no entanto, não me arrisco
a dizer em voz alta.
tanto desejo e tanto espanto.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

domesticação

Só a educação salva.
discurso enlatado
professores desrespeitados

Educação é o melhor caminho!
pesquisas desacreditadas
desprezo aos universitários

Educação é o futuro.
descaso com estudantes primários
exército de ignorantes e ignorados

Chave E

Muitos cargos, poucos feitos
Títulos endeusados
Eleitos pelo medo
Anistia para genocidas
Quantos injustiçados
Executados a tiros pela polícia

Enclausurados
Pelo perverso quadro social
Agora robotizados
Como efeito colateral
Política superfaturada
Nosso cartão postal

Não importa a índole
Importa a síndrome
Que aliena a população
Altos lucros pro patrão
38 na mão
3,80 a passagem do busão

Compreender e sobreviver
Jogada de sorte
Aos malfeitores corruptos,
Passaporte pra morte.
Queimem parasitas, 
acabem com as mazelas
A revolução é teoricamente

Bela

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

RÉPLICA

o governo é racista
a polícia assassina
pra nós, injustiça
e ainda vem com essa
de "não complica"?!

compila meus códigos
me olha nos olhos
desvenda o segredo
em ser feliz no ódio
sem cair no óbvio

notas não me dizem nada
sangram feridas
de existências padronizadas
mentiras deslavadas
de uma tirania maquiada

intercedo
entre o receio e o medo
recheio de ópio
anseio por cura
a vida requer postura

do dia claro, a cor escura

na sombra da bravura
rindo a beça
da anunciada tragédia
egomania inflamada
beirando a loucura

conservar-se entre bestas feras
regenerar-se no desespero
penso em partir em segredo
recuo; espero pela primavera

- Ainda é cedo.



sábado, 16 de novembro de 2019

Selva de Pedra II

desapossado, não tem mais casa
um tamanduá surgiu na relva
fugindo da destruição da mata
indo em direção a selva de pedra

uma criança empurrando um carro de mão
de seis anos, talvez menos, talvez não
com dois sacos cheios de latinhas, se anima
no corre do cifrão, não existe idade mínima

um bêbado debilitado cambaleando
acompanhado de um cachorro mancando
mendigando afeto, um pouco de atenção
"uma ajuda por necessidade", estendem a mão

muitos famintos, tantos perdidos
achados da paixão neoliberal;
livres nas coberturas, fartura sem censura
quer seguridade social? vai pra cuba!

aqui a guerra é fria e queima
há festa, há corpos mortos pelo chão
a máscara da morte vermelha
vem caminhando na escuridão...

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

de fato, raça é só uma: humana.

mas não estamos falando de simples genética, senão do fator social; de como nos relacionamos no meio em que vivemos. mais ou menos melanina não te faz superior a ninguém, mas determina como vc será tratado na sociedade. quanto mais preto, maior a discriminação. quanto mais discriminação, maiores são os problemas sociais, financeiros, psicológicos, estruturais que a pessoa enfrenta. a união do povo preto não é segregação para com os brancos (mesmo que alguns mereçam KKK), é um motim contra essas agressões que só atingem ao povo preto. é uma insubmissão ao racismo. se vc não entende a dimensão dessa revolta, vc não sabe ''a dor e a delícia'' que é ser preto; tudo bem também, o que vc não pode é desmerecer a luta de quem vivencia essas dores diariamente usando falas rasas, arrogantes e sem conhecimento nenhum. movimentos de pretos e pretas unidos é mais que necessário e urgente. não é vitimismo ou querer privilégios, é lutar pela sobrevivência. preto é resistência. preto é lindo.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

haikai

Ladeira suada
Luzes do morro
Levam-me à lua

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

De cara

desce ladeira,
sobe ladeira,
passa pelo beco,
desce escada,
sobe escada,
volta pelo beco
e... nada.
e onde tem: miadaça.
na luta contra a cara,
eu perdi essa batalha.
e agora, quem poderá nos salvar?
me aconselharam a fazer uma loucura pra extravasar...
e eu concordei...
te cuida!

quinta-feira, 25 de julho de 2019

#toda surdez será castigada

chefes de estado sem culpa,
líderes religiosos alucinados,
corporativistas sem remorso.
e o direito à vida dos civis?
nem nasceu.