É de manhã, vem o Sol mas os pingos da chuva que ontem caiu Ainda estão a brilhar, ainda estão a bailar ao vento alegre que nos traz esta canção Quero que você me dê a mão Vamos sair por aí sem pensar no que foi que sonhei, que sofri, que chorei Pois a nossa manhã só nos fez esquecer Me dê a mão, vamos sair pra ver o Sol É de manhã, vem o Sol mas os pingos da chuva que ontem caiu Ainda estão a brilhar, ainda estão a bailar ao vento alegre que nos traz esta canção Por aí, sem pensar no que foi que sonhei, que sofri, que chorei Pois a nossa manhã só nos fez esquecer Me dê a mão, vamos sair pra ver o Sol Quero que você me dê a mão Vamos sair por aí sem pensar no que foi que sonhei, que sofri, que chorei Pois a nossa manhã só nos fez esquecer Me dê a mão, vamos sair pra ver o Sol É de manhã...
É, foi ruim a beça Mas pensei depressa Numa solução para a depressão Fui ao violão Fiz alguns acordes Mas pela desordem Do meu coração, não foi mole não Quase que sofri desilusão. Tristeza foi assim se aproveitando pra tentar se aproximar... Ai de mim Se não fosse o pandeiro, o ganzá e o tamborim, pra ajudar a marcar meu tamborim, pra ajudar a marcar... Logo eu Com meu sorriso aberto E o paraíso perto A vida melhorar Malandro desse tipo Que balança mas não cai De qualquer jeito vai Ficar bem mais legal Pra nivelar a vida em alto astral - Jovelina Pérola Negra -
A arma do povo contra o estado é o próprio povo
Um novo homem, nova sociedade baseada em liberdade
Estão nos matando, por que não matá-los?
Estamos apenas nos defendendo
Extinção de classes, apenas igualdade
É isso que estamos querendo
Carne de cobaia iraquiana
John Wayne, estupre uma criança
Bento XVI, Vire-se a Meca
Bush, dê-nos esperança!
Petróleo é de beber com um gosto de amargar
O sangue faz a máquina girar
Morre um ditador na América do Sul
César! Fogo! Nu!
Isso é religião, política, loucura
Meu Deus! Osama nas alturas!
Os seus cowboys vampiros têm os olhos azuis
Tirem esse índio dessa cruz!
O clone do humano, o clone da ovelha
O rosto de Jesus na imagem da besta
Montados em seus cavalos exterminando os negros
O lixo, o resto, o feio
O mundo é uma maravilha, mas não posso viver
Pois sinto nojo de tudo que vejo
Inclusive na minha cara cínica no espelho
O que me deixa em intenso desespero
Essas engrenagens querem me amassar
Eu quero deixar de existir
As cenas de terror que não saem da minha mente
Nunca mais vou conseguir sorrir
Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo, mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás
"Andar na rua vendo o povo em desespero
Brigando pelo melhor lugar, quem chega primeiro
Vivendo um pesadelo acordado, correndo assustado,
Cabreiro com quem está do seu lado
Ver o moleque viciado na televisão
O baixo nível da escola e da educação
A preta linda que não olha no espelho
Tem vergonha do nariz, da boca e do cabelo
O super herói com apenas doze anos
Feliz da vida porque conseguiu um cano
A piveta que já tem um pivete
Q!ue até dá mamadeira ei mano ela se esquece
Ambição alto grau, apocalipse final
Eu não consigo ficar na moral
Famílias inteiras estão caindo na vala
Perdendo a resistência e o pesadelo não pára
Ser Homem de Aço é resistir
Não posso dar as costas se o problema mora aqui
Eu não vou fugir
Nem fingir que não vi
Nem me distrair...
Tenho uma meta a seguir.
Sou fruto daqui.
Se for pra somar,
Ei, mano chega aí!"
É um estar indo, não importa para onde, mesmo se for para lugar nenhum.
Vá com a vida.
Deixa de olhar para o teu umbigo
como se fosse o centro do mundo.
O teu destino pessoal não tens a mínima importância,
pois tu és apenas um fenômeno passageiro
e ilusório, uma emanação do que és,
sempre foste, e sempre serás:
a eterna existência. Desperta, homem!
Aí então saberás que esta eternidade és tu
mesmo e tudo mais que existe.
Não penses que o mundo gira em torno de ti!
Quão pequenina e fugaz é a tua megalomania
dentro da Natureza.
Enquanto estiveres cheio das tuas coisas,
tesouros, paixões, posses, desejos, sofrimentos, deuses e ilusões,
enfim, do teu próprio ego que carregas em vão, tu estarás no NADA,
no sem sentido, na ilusão.
Corri como um louco em busca da felicidade
e trouxe apenas as mãos vazias
pendentes de ilusões.
Caminhei então, devagar,
em busca do meu próprio destino
e hoje trago as mãos cheias
carregadas de vida.
Me aconteci, me manifestei, me existi.
Sou um ser que está fora.
Para fora estão os meus olhos que percebem as ilusões do mundo.
De fora entra o ar que respiro e mantém o meu alento.
Lá fora é que estão o céu e o inferno, os santos e os demônios, os que me envolvem de amor e os que me sufocam de tanto ódio.
Como então posso retornar para dentro?
Desde o princípio que nunca principiou,
pois sempre foi, é e será, eu sou.
Não há caminho a se percorrer,
algum Deus a se buscar
ou iluminação a se alcançar.
Tudo já está pronto como sempre esteve.
Apenas abra os olhos porque então o
desmistério acontece,
se revela o que era irrevelado,
face à minha ignorância,
minhas perdições, meus pecados,
minhas ilusões!
Desde o princípio eu sou.
Porque não existe nem o dentro, nem o fora,
apenas o ser aqui e agora.
De que estão se busca sentido?
Eu venho de lugar nenhum e vou para nenhum lugar.
Agora deixarei o mistério acontecer por si mesmo
e se auto desvelar a cada instante
por toda a eternidade.
Agora relaxarei profundamente
e cessarei essa tentativa ansiosa,
desesperada e sofrida de querer desvelar o mistério
e tudo ser em vão.
Agora viverei a vida que está presente
e que a cada instante acontece e desacontece,
não importando seu destino
e sua razão de ser.
Não olhes para o alto em busca de soluções
porque o alto é apenas uma distância
vazia e inexpressiva.
Não olhes para a esquerda ou para a direita
porque são apenas posições relativas.
Não olhes para trás, pois apenas
entortarás a cabeça em busca de um passado
que não retorna jamais.
Não olhes para frente, pois seguirás em vão
tua estrada sem rumo e sem destino
que te conduzirás à morte.
Olhe então para dentro de ti,
pois ai estará a solução.
De que? Só tu saberás!
Eu sei (ou quase sei) que estou lá ou aqui
– pouco importa. O mundo é uma ilusão.
Letra formada por trechos de 14 poemas de Ildegardo Rosa, produzidos em 1957, 1958, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997 e 1998. Melodia composta por Emmanuel Mirdad em 17/07/2002
Olha só essa menina que balança, olha só...
Olha só, ela vai dançar a noite inteira
Ela vai cantar todas as músicas
Pra desfazer...
Pra desfazer a dor e refazê-la.
Quando a nossa flor se abrir inteira
Quando a nossa cor era vermelha
Pra se fazer do amor a vida inteira
E a vida inteira, amor, satisfazê-la.
Olha só essa menina que balança e dança
Olha só.
Olha só, ela vai dançar a noite inteira
Ela vai cantar todas as músicas
Pra desfazer... (Dor, amor)
Pra desfazer a dor e refazê-la.
Quando a nossa flor se abrir inteira
Quando a nossa cor era vermelha
Pra se fazer do amor da vida inteira
(Dor, amor)
E na vida inteira, amor, satisfazê-la.
Pra desfazer e refazê-la,
Satisfazendo a dor
Da quarta-feira.
Seu rapaz não lhe procura mais...
Seu rapaz não lhe procura mais...
- Já me desejei um coração de pedra, ó Pai!
- Mas de pedra não te sentirás tão forte... Deixa assim pulsar, não vou prometer; és minha obra prima, filho sonhador! Mas vai dar pra ver, não vai ter que procurar aquele sono bom.
- Espero que enquanto que estivemos loucos... aconteceu uma pane na cidade inteira!
- Espera um pouco mais, ver no que vai dar...
- Quanto dura a dura espera até você voltar? Vai bater à porta ou telefonar? Na verdade, não precisa se incomodar em vir. Adeus.
Japhy viajante senta e reza como um Buda,
enquanto eu corro feito um louco e rezo muito pouco.
Japhy viajante senta e reza como um buda,
enquanto eu rezo muito pouco e bebo feito um louco.
Sem saber se o raio é claro, certo e queima meu juízo
Sem notar se a estrada acaba logo e vira precipício
Mas há de ter razão pra eu não voar, não não. Pra eu não voar não...
FOTO-GRAFIA
Perdi minha foto
e a grafia das palavras
Busco a imagem
e as ideias...
Fui caçada
tolhida
camuflada...
Ganhei bagana
esmola
e uma maçã.
Ganhei o som
o grito
e uma mordaça...
ou o negativo da foto
e o invisível da grafia
Sou...
LIBERTAR-SE
Como se fosse
alimentar-se
da réstia de sol
do raio pequenino
da lus colorida...
Como se fosse
saciar-se
do pedaço de céu
do sentimento rasgado
de tocar as estrelas...
Como se fosse
libertar-se
das celas invisíveis
das correntes inquebráveis
desse tempo prisioneiro...
...a gaivota bateu asas
varreu o espaço
do seu grito sufocado
alcançou horizonte
e o seu último voo...
ANGÚSTIA
Minha angústia vem
do meu tédio cotidiano
do mecanismo de escritório
das mesmas luzes
do centro artificial
do meu chão.
Minha angústia vem
dessa limitação que canta
um canto triste
como o sabiá...
vem do que reclama
e clama
vem do que chora
e floresce no sorriso
de amanhã.
Minha angústia
vem de minha hora
não marcada no tempo...
[Genny Xavier - Caitité/Itabuna]
A CAIXA DE FÓSFORO
Com a caixa de fósforo na mão
parou, sem saber ao certo
se queria compor um sambinha
ou acender um cigarro
Fez um esforço de memória
e não conseguiu saber.
Procurando afastar pensamento incômodo,
deu de ombros e prosseguiu seu caminho.
De repente,
parou novamente, angustiado.
Lembrou-se que trazia um pandeiro,
e não tinha cigarros.
FRATERNIDADE
Na mão,
apenas uma flor.
No coração,
o desejo profundo
de estender milhares de mãos
ofertando flores.
HIERARQUIA
No fim da tarde,
esperando ver acenderem-se as estrelas,
sou grato á penumbra
que retarda o quanto pode
a minha contingente obrigação
de acender as lâmpadas.