domingo, 16 de março de 2014

Direto ao assunto - Rabujah

Venha, sente aqui,
vamos conversar
Jogar com as cartas na mesa
para que não haja surpresa
pra nenhuma das partes
desse quase amor de uma noite só.

Me deixe falar-te ao pé do ouvido
duvido que não vá se entregar...
Olha, calma, fique ai parada onde está:
Tira sem pressa essa peça de cima
Quem precisa de clima,
se contamos com a breve vontade
de nós dois numa noite só?

Escorregar em você
na mesa da sala.
Vou fazer coisas que aqui
na canção não se fala.

A carne treme, repuxa a pele,
o pelo eriça, a boca seca,
o juízo remissa, a alma peca,
depois me bate uma preguiça

de salvar seu telefone...
de saber o seu nome...

15/03 - Quando uma música fala por si só e pela transa da noite passada. 

quarta-feira, 5 de março de 2014

Serge Latouche

- Uma falsa abundância comercial destruiu a nossa capacidade de nos maravilharmos diante dos dons da natureza (ou da engenhosidade humana que transforma esses dons). Reencontrar essa capacidade suscetível de desenvolver uma atitude de fidelidade e de reconhecimento com relação à mãe Terra, ou mesmo uma certa nostalgia é a condição de sucesso do projeto de construção de uma sociedade do decrescimento sereno, assim como a condição necessária para evitar o destino funesto de uma obsolescência programada da humanidade.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Desculpas pelo transtorno nos corações alheios

Me despertou o amor
sem a intenção de me amar.
Covardemente.

Se apressou em me deixar,
o coração não o acompanhou,
confuso.

Você se foi, a paixão ficou.
Ficou a vagar, a mendigar
outros colos por aí.

Que não entenderam,
que se assustaram.
Um erro levando a outro.

Existo, logo procuro
um lugar pra repousar.
Recuei. Entendi. Esperei.

Acabou. Aprendi que nem todos
os finais são felizes, também
não precisam ser tristes.

São só finais, ponto final.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Uma das coisas que eu quero lhe dizer

Você sabia?
Muitas pessoas se escondem,
se fazem de fortes mas são inseguras;
Às vezes, fingir ser forte serve
mais do que propriamente ser;
Dá pra ser forte e
vulnerável ao mesmo tempo;

Sabe, eu vi, vivi
e percebi muitas coisas:
o mundo vai mal,
ele precisa que nós sejamos fortes.

Eu só queria te dizer
que fui por algum tempo triste,
que a solidão me assombrava
e que tudo doía.

Talvez eu estivesse perdida,
mas quando me deixei abater
não foi fraqueza, chorei por ser forte.

Por mais que procurasse,
não encontrei abrigo em lugar algum,
então fiz de mim meu próprio abrigo.

Dizem por aí que precisamos
sempre seguir em frente,
eu pelo menos tô deixando fluir.

Esperar pra ver o que me acontece
e tentar fazer as coisas acontecerem também.

A  falta de amor no mundo
me entristece e enfurece,
mas a solidão não me assusta mais.

Sabe, eu nem sei porque queria te dizer isso.
Não te amo e nem tenho coragem.
Mal te vejo, mas eu olho pra você e enxergo
alguma coisa de triste, alguma coisa de forte,
alguma coisa de mim.

Talvez seja só loucura
da minha cabeça, é bem possível.



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Mas não hoje

Apanhei da saudade a semana inteira.
Ontem, bebi. Hoje, não pensei em nada,
só sei que não quero amar você.
Não quero sorrir ao te ver.
Não quero escutar o que você tem pra dizer,
nem ouvir a banda nova que você tem pra me mostrar.
Não quero rir, nem me preocupar.
Não tenho novidades, só sei que hoje
não quero amar você.

Amanhã? Bem,
- Amanhã é quem sabe um dia... 
fora isso, te quero pra toda vida.

sábado, 23 de novembro de 2013

Canábico horizonte


Em meio a transações, transições e confusões, o homem perde a visão. A ganância, as vaidades, o egoísmo o cegam. E quando eles olham, só enxergam seus próprios umbigos. Dominados pelos mais sentimentos mesquinhos, eles se tornam incapacitados. Incapazes de enxergar todos a sua volta, incapazes de oferecer uma ajuda ao próximo. Nem ao menos um sorriso. Incapazes de se solidarizar pelo outro, incapazes de sentir. Quanto mais penso na humanidade, menos quero pensar nela. 

Nesse momento, eu poderia pensar em todo esse mundo fodido. Em todas as angústias, em todos os suicídios, em todas as loucuras. Mas nesse momento, eu senti paz. Afinal, também existia a compaixão, ainda havia restos de humanidades em raras almas. Ainda existiam pessoas com quem se pode conversar, rir, planejar e plantar só o bem. E lugares tranquilos, belos. Lugares que se sente a harmonia no ar. Nesse momento, pra mim, estava alucinantemente nítido o que sobrou do céu. Todas as cores escondidas nas nuvens da rotina.

Aos meus amigos do Pico de Jah.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

"Decifra-me ou devoro-te"

Poderia ser o enigma da esfinge, mas não é.

Cientificamente falando, é bem mais simples. Algo como um conjunto de reações que desencadeiam no meu corpo quando vejo o seu.
Mentalmente, é sobre como isso intriga a minha mente. Sei muito de você mas não sei quase nada.
Eu posso ouvir seu silêncio a quilômetros de distância mas não consigo entendê-lo.
"Ele é vago, enigmático, reservado. Pode ser por cautela ou preservação, por algum medo ou receio. Pode ser tudo isso junto e pode não ser nada."
Pois é, cada um com seus mistérios e sua história.
E enfim, me sobram dúvidas e me faltam certezas.
Saber tudo, pode decepcionar.
Não saber nada além de pouco, é confuso.
Te descobrir aos poucos, é excitante.

Seu mistério me atrai.





segunda-feira, 21 de outubro de 2013

(re)começo

Cansada dos tropeços, das expectativas frustradas, da acomodação, da rotina, de se sentir só mesmo em companhia.  Sua cabeça estava cheia, seus pensamentos confusos, as pessoas iam e vinham, algumas ficavam, a maioria só passava. Não sabia o que fazer com o que decidira fazer da vida. Não era uma relevância na vida, não ia a lugar nenhum, não estava disposta, simplesmente existia. Não que ela quisesse, mas não sabia onde perdera sua inspiração.

Suplicou quase como uma oração:
- Me deixa em paz...

É, assim, sem exclamação.  Não era um fim. Não era uma ordem, era um pedido. Um pedido que não vinha do mesmo lugar que o desejo, nem do coração. Vinha da alma. E com reticências, esperando que alguém a completasse, não a frase, mas a si própria.  Era a deixa pra um começo. Ela queria um bom começo.

domingo, 15 de setembro de 2013

Porque sou a favor do aborto

Acende a vida e inicia o grande drama, apressado e sem ensaio. 
E quem não vai torcer pro coração bater? Dá-lhe viver! ♪

Seu futuro já fora determinado.
Ela não terá. Ela não terá almoços de domingo com a família nem finais de semana na praia. Não vai chorar no primeiro dia de aula nem quando se ralar ao cair da bicicleta. Não vai ficar com ''janelinha'' quando os dentes de leite caírem. Não vai brincar de boneca. Não vai brigar com os irmãos pelo controle da televisão. Não vai ter o carinho da mãe nem a proteção do pai.
Ela terá. Ela terá onde morar, ali debaixo do viaduto e mais tarde num abrigo pra crianças. Ela vai ter o que comer depois que mendigar e às vezes furtar do mercadinho da esquina. Nas noites frias terá, sim, papelão pra se esquentar. Ela vai estar rodeada por pessoas o tempo todo, a tratando com preconceito e desprezo. Encontrará algum "afeto" com aqueles que lhe oferecem alguns trocados em buscar de prazer sexual.
Ela não vai saber que é uma estatística, uma injustiça, uma crueldade. Nem saber porque foi indesejada. Não entende sobre amor, sobre conforto, sobre família. Entende sobre abandono, sobre exploração, sobre fome. Às vezes brinca de super-herói e seu poder é ser invisível. Simplesmente porque ninguém a enxerga. Nem governo, nem lei, nem igreja, nem ninguém. Ela chora todo dia. Um choro baixo, quase que tímido. Queria poder reclamar... mas com que direito? E pra quem? Reclamar que não teve a atenção da mãe nem a paciência do pai mas... quem são eles mesmo?
Ela poderia listar tudo o que sofreu e a tudo que sobreviveu. Acorda todo dia esperando dormir pra sempre. Dorme sonhando com que tudo isso fosse apenas um pesadelo. Seu pior pecado é ter nascido.

domingo, 8 de setembro de 2013

Um ser plural

• Palavras que pertencem ao ser plural •
Entusiasmo, inspiração, experiência, maturidade,
conhecimento, sedução, atração, cumplicidade.


Nos encontramos mais uma vez e nesse momento eu não sabia exatamente o porquê de ter voltado ali nem o porquê de você me querer de novo ali. Mas senti uma certa empolgação com  não sei bem o quê. Não tinha sido amor à primeira vista, mas de certa maneira eu me reconheci em você. Talvez você fosse o que eu queria ser, o que eu tinha medo de tentar e preguiça de fazer. E então, mais uma vez eu estava ali curiosa pra ouvir suas histórias. Descobrir o que você descobriu, ver o que você viu, ouvir o que você ouviu, ir aonde você foi, viver o que você viveu, sentir o que você sentiu e ser tudo aquilo que você foi. Te ouvir era... inspirador.

Você não se importava com a ordem cronológica dos acontecimentos, isso me deixava um pouco perdida. Mas até aí, eu me senti seduzida tentando buscar sentido no que você falava. Você explicava aos poucos, eu entendia aos poucos, fui te conhecendo aos poucos e foi assim que você me encantou: aos poucos.
E foi assim que eu te conheci, reconheci e me apaixonei.

Minha mente foi atraída pela sua, meu corpo foi atraído pelo seu e nessa hora o que eu mais quis foi te tocar, te pegar, te sentir. Uma música rolando ao fundo e estávamos rolando na cama, sutilmente dançando. Os gestos dançantes e provocantes das nossas mãos, das nossas pernas, das nossas bocas. E aí, estivemos calados por meia hora ou mais, porém nossos corpos contavam histórias um para o outro, faziam projetos, não queriam se separar. E nossos olhares silenciosamente diziam que nós queríamos aquilo, queríamos muito mais.

Todos nós necessitamos alguma vez de um cúmplice, alguém que nos ajude a usar o coração. Talvez você seja esse alguém. Nos entendemos no barulho e no silêncio. E eu quero te entregar meu coração. O corpo e a mente em sintonia. A energia gêmea dos nossos espíritos. Com você eu me sinto a vontade, às vezes não tão abertamente assim por conta de feridas do passado, mas entusiasmada pra me encontrar e me perder em você.  Seja meu presente.

Fica comigo e me faz feliz.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Desejo de poeta

Meu ser poeta
queria saber escrever essas palavras difíceis
Ter essas sacadas inteligíveis
E fazer poemas incríveis

Inveja quem tem esse dom
De usar a escrita pra sabiamente definir
Inveja quem entra no tom
pra elegantemente seduzir

Atreve-se a escrever um poeminha bobo aqui e ali
Às vezes cria, reinventa
Frequentemente copia e se recria

O meu ser poeta não sabe rimar, coitado
Na escola, aprendeu o teorema de Pitágoras
Mas nada sabe de métricas e metáforas
Desse mundo de grandes poetas foi extraditado

De amor sabe muito, sente muito
É aí que ele se encontra
Não nos adjetivos trabalhosos, nem nos significados duvidosos
Mas no pensar, no aprender, no viver
No sentir e no ser.
Meu ser poeta quer ser poesia.

já vi mendigos demais com os olhos vidrados bebendo vinho barato debaixo da ponte

Você se senta comigo
no sofá
nesta noite
nova mulher.

Você já viu os
documentários
sobre animais carnívoros?

eles mostram a morte.

E agora me pergunto
que animal entre
nós dois
devorará
primeiro o outro
física e
por fim
espiritualmente?

Nós consumimos animais
e então um de nós
consome o outro,
meu amor.

Enquanto isso
prefiro que você vá
primeiro e do primeiro jeito

Se os gráficos de performance passadas
significarem alguma coisa
eu certamente irei
primeiro e do último
jeito.

{ Bukowski } 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Sobre interesses

"Não sei que palavra usar pra me definir. Sempre admirei o vilão, o fora da lei, o filho da puta. Não gosto de garotos bem barbeados, com gravatas e bom empregos. Gosto de homens desesperados, homens com dentes rotos e mentes arruinadas e caminhos perdidos. São os que me interessam. Sempre cheios de surpresas e explosões. [...]
Estou mais interessado em pervertidos do que em santos. Posso relaxar com os imprestáveis, porque sou imprestável. Não gosto de leis, morais, religiões, regras. Não gosto de ser moldado pela sociedade. "


- Fragmento de Ao Sul de Lugar Nenhum  Charles Bukowski [Não li, pero no me falta gana]